quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

HOSPITAL DO MEIO AMBIENTE

Hospital cria telhado verde para melhorar o ar



09/02/2011 - 07:44



Autoria e fonte: http://www.revistafator.com.br/ver_noticia.php?not=145809

Programa de reaproveitamento da água da chuva permite autonomia de até 20 dias sem utilizar a rede de abastecimento de água.



É crescente o número de empresas brasileiras que vêm promovendo ações de sustentabilidade e implantando projetos de preservação e de reciclagem, num esforço para preservar o meio ambiente e economizar recursos naturais que tendem a ficar cada vez mais raros. Se atualmente cerca de 1% das empresas no Brasil investem em alguma ação socioambiental, pesquisa divulgada pela consultoria alemã Roland Berger demonstra que o mercado sustentável no país já movimenta 17 bilhões de dólares e deve crescer entre 5% e 7% anualmente até 2020. O Hospital São Vicente de Paulo, no Rio de Janeiro, já faz parte dessa estatística por desenvolver quatro projetos que visam preservar recursos naturais e devolver à natureza produtos que não agridam o meio ambiente. São eles: a construção de telhados verdes, a construção de prédios ‘sustentáveis’ com preservação de árvores nativas, a captação e reaproveitamento da água da chuva e o programa de tratamento de resíduos químicos hospitalares, antes do descarte na rede de esgoto.



Com a construção de telhados verdes, que tem a função de dissipar o calor e melhorar a estética do ambiente, a estimativa é de que a temperatura nos dois prédios do hospital que possuem telhado verde seja 6oC menor do que nas demais edificações (em média, num dia de temperatura externa de 34ºC, a temperatura máxima no interior é variável de acordo com a cobertura: em telhado verde fica em 28,8ºC; 34,7ºC em laje de concreto e 45ºC em aço galvanizado).



O projeto dos telhados verdes deu tão certo que o hospital já está construindo um terceiro. É o que conta o coordenador de risco e auditor interno da qualidade do São Vicente de Paulo, Robson Luiz Maciel: “o primeiro telhado verde foi construído no hospital há dois anos, em cima do abrigo de resíduos químicos, com a ideia de quebrar o paradigma de que abrigos são sujos e feios e trazer beleza e funcionalidade ao local.” Recentemente, o hospital finalizou a construção do segundo telhado verde em cima do vestiário. “O teto verde também tem o papel de proteger os locais onde estão instalados de adversidades climáticas, como chuvas e raios, prolongando o tempo de vida útil do local, e, em dias mais quentes, reduzindo a temperatura do ambiente em que está instalado”, ressalta Maciel, adiantando que a construção do terceiro telhado verde deverá ocupar toda a área da recepção do hospital. “Assim como nos anteriores, utilizaremos plantas como Babosa, Arundinas, Strelitizias e Cactus cujas características, como resistência e beleza, são perfeitas para compor o projeto”, afirma o representante do hospital carioca.



Outro exemplo de economia de recursos naturais é o programa de captação, armazenagem e aproveitamento da água da chuva. Implantado há três anos, o mesmo permite que o recurso natural seja utilizado em toda a área de jardinagem e na lavagem diária da área externa, representando uma economia de cerca de mil litros por dia. Para por a ideia em prática, um reservatório com capacidade para reter 20 mil litros de água foi construído na área do estacionamento, proporcionando uma autonomia de até 20 dias sem utilizar a rede da Cedae nos períodos de estiagem.



Preservando a natureza -Além de economia e reaproveitamento de recursos, a preservação foi outra preocupação durante a ampliação das instalações do hospital. Na construção do novo prédio e na instalação da lanchonete, duas paineiras, espécies típicas da mata atlântica, e uma amendoeira foram poupadas de serem derrubadas. O projeto de expansão levou em conta a integração das árvores aos prédios com a construção de redomas, proporcionando, beleza e temperatura ambiente mais agradável.



Outro projeto que também foi implantado na construção do centro de convenções e aplicado na reforma dos prédios já existentes foi o uso da luz natural, gerando uma economia de 30% de energia elétrica. O novo edifício, que abriga um auditório e algumas salas de estudo, teve seus corredores construídos com paredes e tetos de vidro e de materiais que deixam transpassar a luz do dia. “Na reforma dos prédios já existentes, onde antes havia salas inutilizadas, dois corredores foram abertos e transformados em locais mais claros, também aumentando a economia de energia em 30%”, assegura a engenheira do HSVP, Cristina Oliveira.



Devolver ao meio ambiente resíduos livres de bactérias ou reagentes químicos também foi outra preocupação da direção do Hospital São Vicente de Paulo. Por isso, não há descarte de resíduo químico na rede de esgoto. Quando o material químico tem carga bacteriana muito alta, recebe tratamento antes de ser encaminhado para a empresa responsável pelo descarte desses químicos. Óleos como de cozinha e de máquinas, por exemplo, são recolhidos e diluídos em reagentes químicos até que estejam livres de contaminação ou carga bacteriana. “Quando o resíduo não alcança pureza suficiente para ser descartado, é recolhido ao abrigo de resíduos do Hospital e encaminhado para uma empresa especializada em transporte e descarte de resíduos químicos”, explica Robson Maciel.