sábado, 14 de fevereiro de 2015

Quartier em Pelota - RS é o primeiro bairro sustentável

Primeiro bairro sustentável de Pelotas economizará 30% de água e energia

O empreendimento Quartier terá coberturas verdes ou com painéis fotovoltaicos, além de ruas permeáveis com bloquetes de concreto. Já nascerá atendendo as diretrizes do LEED e de acordo com o selo Procel Edifica, da Eletrobras


Redação AECweb / e-Construmarket
Bairro Quartier
Um bairro projetado para ser sustentável começará a ser construído ainda este ano, na cidade gaúcha de Pelotas. Batizado de Quartier, o empreendimento é resultado do trabalho dos escritórios de engenharia Joal Teitelbaum e Guapo Capital Group, em parceria com o escritório Jaime Lerner Arquitetos Associados. Ocupando uma área de 30 hectares, dos quais dez serão destinados a um espaço verde e de preservação, o bairro Quartier já nasce atendendo as diretrizes do LEED.
Bairro Quartier
“A certificação não se prende apenas às soluções arquitetônicas, mas também pede que o empreendimento esteja inserido dentro de uma massa urbana já existente e que se comunique com os demais equipamentos de infraestrutura. Por exemplo, ligando as ciclovias do bairro às já existentes na cidade”, explica o engenheiro Claudio Teitelbaum, diretor de Qualidade e Relacionamento com o Cliente do escritório Joal Teitelbaum. Não somente as diretrizes do LEED serão atendidas pelo bairro, o empreendimento projetado também está de acordo com o selo Procel Edifica, da Eletrobras.
A partir do momento em que os projetos são concebidos de forma sustentável, todos saem ganhando. A cadeia produtiva, o cliente, a empresa, os funcionários, parceiros estratégicos e a sociedade.

COBERTURAS VERDES

Segundo o profissional, está previsto no plano diretor padrão do bairro que as coberturas dos empreendimentos deverão ter telhados verdes ou painéis fotovoltaicos – esse sistema será responsável pela iluminação das ruas – e os bloquetes nas vias serão de concreto, que favorecem a permeabilidade do solo. “A partir do momento em que os projetos são concebidos de forma sustentável, todos saem ganhando. A cadeia produtiva, o cliente, a empresa, os funcionários, parceiros estratégicos e a sociedade. Equipamentos de tratamento de efluentes (água e esgoto), painéis solares para aquecimento de água e geração de energia, vidros especiais que não transmitem radiação e materiais compostos por elementos vindos de reciclagem são exemplos claros de como a tecnologia torna-se aliada da sustentabilidade”, completa.
Bairro Quartier

CONSTRUÇÃO EFICIENTE

Os sistemas construtivos previstos no projeto serão aqueles que elevam a produtividade, segurança e qualidade final da edificação. Teitelbaum cita como exemplo algumas estruturas pré-moldadas e painéis de fachada, como fachada ventilada e painéis arquitetônicos de concreto. “Sobre materiais, a certificação LEED prevê madeiras com manejo controlado (FSC), itens com conteúdo reciclado e pavimentos com determinados índices de refletância. Além disso, matérias-primas produzidas e vendidas localmente também serão priorizadas”, complementa. A previsão é de uma economia de, aproximadamente, 30% em água e energia ao final da execução do projeto, que se inicia em 2014 e terá término da infraestrutura em cerca de 40 meses, e de todas as edificações nos próximos dez anos.
Bairro Quartier

VANTAGENS

Os benefícios em incorporar soluções sustentáveis em um projeto como o Quartier são muitos, entre os quais ele destaca a preocupação ambiental, que gera maior qualidade de vida a um custo reduzido para o morador e para o usuário. “Um estudo de 2003 da Força-Tarefa de Construção Sustentável da Califórnia mostra que um investimento inicial do projeto verde de apenas 2% vai produzir uma economia de dez vezes o investimento inicial, com base em um período muito conservador de 20 anos de construção. Por exemplo, R$ 40 mil em design ecológico de um projeto com valor total de R$ 2 milhões serão pagos em apenas dois anos. Em mais de 20 anos a economia será de R$ 400 mil. Em outras palavras, construir de forma sustentável é mais barato”, destaca.
A certificação LEED prevê madeiras com manejo controlado (FSC), itens com conteúdo reciclado e pavimentos com determinados índices de refletância. Além disso, matérias-primas produzidas e vendidas localmente também serão priorizadas.
Teitelbaum ressalta outro benefício indireto, proporcionado por edifícios sustentáveis, que muitas vezes é esquecido: a demanda reduzida em elétrica, gás e serviços públicos de água. “Isso pode resultar em menores preços dos serviços públicos municipais a longo prazo, além de evitar o repasse dos custos de expansão aos clientes destas concessionárias”, diz o engenheiro, afirmando que os benefícios gerados são extremamente visíveis, e o cliente sente seus efeitos no bolso.

“Não podemos dizer que o Quartier é totalmente sustentável, porém é possível afirmar que é mais sustentável que um projeto padrão. Ao colocarmos o desafio da certificação LEED, procuramos uma consultoria (Sustentech) para, em conjunto com nossa engenharia já experiente em trabalhos com essas características, fazer do Quartier um projeto de sucesso. Tirar do papel estas ideias e estes conceitos e transformá-los em realidade é o nosso grande desafio”, finaliza Teitelbaum, lembrando que o case bairro Quartier será apresentado na Expo Arquitetura Sustentável – feira internacional, que acontece em agosto, na cidade de São Paulo.
Bairro Quartier

COLABOROU PARA ESTA MATÉRIA

Luiz Augusto
Claudio Teitelbaum – Mestre em Administração de Empresas pelo PPGA – UFRGS e Engenheiro Civil formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. É diretor de Qualidade e Relacionamento com o Cliente do Escritório de Engenharia Joal Teitelbaum, responsável pela Gestão da Qualidade na empresa. Conduziu os processos de premiação do Prêmio Nacional da Qualidade (PNQ-2003), promovido pela Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), dos Troféus Diamante (2003 e 2004), Ouro (2002), Prata (2001) e Bronze (1999 e 2000) do Prêmio Qualidade RS, promovido pelo PGQP. É vice-presidente do Sinduscon-RS, examinador sênior, orientador e instrutor da Banca Examinadora do Prêmio Nacional da Qualidade, membro do Conselho Diretor PGQP e representante da Joal Teitelbaum no United States Green Building Council e no Green Building Council Brasil.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Audiência discute projeto que desburocratiza a poda de árvores


Audiência discute projeto que desburocratiza a poda de árvores




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A engenheira agrônoma da Prefeitura Adriana Rapias (à dir.) dá um panorama sobre o plantio e remanejamento de árvores na Capital                                              Foto: Luiz França / CMSP

DA REDAÇÃO
Uma audiência pública realizada na manhã desta terça-feira (10/2) pela Comissão Permanente de Política Urbana, Metropolitana e Meio Ambiente discutiu o Projeto de Lei (PL) 166/2014, que prevê uma desburocratização no processo de poda de árvores da capital.
Segundo o vereador Andrea Matarazzo (PSDB), que presidiu a audiência e é um dos autores do PL, o projeto foi feito após conversas com agrônomos da prefeitura. “Vimos que o que mais facilitaria é desburocratizar o procedimento. Ou seja, dando ao próprio agrônomo, que é o especialista, a autonomia para que ele faça o laudo e tome providências, sem que precise passar pelo subprefeito.”
Para Adriana Biazzi, assessora técnica de obras e serviços da Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, o Executivo tem condições de atender às mudanças que propõem o Projeto de Lei. “O PL tenta simplificar a demanda e isso vai agilizar todo o processo.”
O economista Márcio Moraes conhece de perto a burocracia existente hoje. A escola em que seus filhos estudam, no bairro de Santa Cecília, já entrou com vários pedidos de poda junto à subprefeitura. “São várias árvores de grande porte que estão com risco de queda, e a escola já vem pedido há muitos anos a poda. Em algum momento existe o risco dessas árvores caírem.”
O projeto de lei já foi aprovado em primeira votação e será novamente analisado em sessão plenária. Em seguida, ele será encaminhado ao Executivo para apreciação.

Alimentos em época de mudanças climáticas

É preciso adaptar os sistemas de produção de alimentos às mudanças climáticas

A emissão de gases de efeito estufa, o aquecimento global e os extremos climáticos geram impactos diretos nos biomas brasileiros e põem em risco a produção de alimentos

*EDUARDO DELGADO ASSAD
04/02/2015 07h00 - Atualizado em 04/02/2015 16h32
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Eduardo Assad é pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) (Foto: Neide Makiko Furukawa)
Como o aquecimento global impacta a produção de alimentos? As mudanças climáticas colocam a oferta de água e a produção de hidroenergia diante de possíveis colapsos, o que pode afetar o fornecimento de alimentos. No Brasil, as populações da região amazônica e do semiárido, por exemplo, poderão ser duramente atingidas pelos extremos climáticos, colocando em risco o acesso aos alimentos e, por consequência, a segurança alimentar e nutricional daqueles que vivem nesses locais. O padrão de produção adotado no país é altamente dependente de nitrogênio, presente nas adubações químicas ou orgânicas, e promove emissões de óxido nitroso, um dos principais gases de efeito estufa.
Até o ano de 2050, no Brasil é possível atingir a produção de 350 milhões de toneladas de grãos. Porém, se forem mantidos os padrões de produção agrícola adotados pelo país desde os anos 1970, haverá um forte impacto nas emissões de gases de efeito estufa. Portanto, é preciso encontrar soluções que garantam sustentabilidade à produção agrícola com menor emissão de gases. Uma das possibilidades é adotar práticas que permitam a fixação biológica de nitrogênio, isto é, transformar o nitrogênio do ar atmosférico em formas absorvíveis para plantas e animais. Também é preciso identificar sistemas de produção equilibrados que garantam o aumento da produção, porém com baixa emissão desses gases.


Novas estratégias, como a produção de alimentos em áreas já desmatadas na Amazônia, podem ser alternativas viáveis. São 11 milhões de hectares de pastos degradados somente na Amazônia. A pergunta é: o que fazer para produzir alimentos com sustentabilidade nessas áreas? Os novos sistemas agroflorestais adaptados ao Bioma Amazônico poderão suprir a necessidade de alimentos e oferecer opções nutricionais diferentes das tradicionais, com espécies florestais e alimentares da região, além daquelas que fazem parte da cesta básica dos brasileiros (arroz, feijão, milho, soja, trigo, mandioca etc). O mesmo quadro se apresenta para a Caatinga, onde a vulnerabilidade na produção de alimentos exóticos (espécies introduzidas no ecossistema) é muito grande.



A combinação de sistemas produtivos que incorporem espécies nativas, naturalmente adaptadas aos eventos climáticos extremos, como secas e temporais, é uma das opções mais recomendadas para garantir a segurança alimentar. É preciso incentivar a pesquisa sobre a qualidade de alimentos nativos e sua composição bioquímica e nutricional. Só assim poderemos incorporar definitivamente os alimentos que têm origem na biodiversidade brasileira à dieta das populações que serão, num futuro não muito remoto, as mais atingidas pelos impactos do aquecimento global.



Com menor intensidade, o mesmo quadro se repete no bioma Cerrado que, com 12 mil espécies em sua biodiversidade, oferece várias opções de produtos naturais que podem se tornar parte da alimentação da região desde que produzidos de forma sustentável e não apenas extrativista. A identificação, análise, distribuição e aproveitamento dessa imensa biodiversidade na alimentação humana fazem parte dos desafios propostos pelo Prêmio Jovem Cientista deste ano, que aborda o tema “Segurança Alimentar e Nutricional”.

Colheita da castanha-do-brasil na Amazônia (Foto: Haroldo Castro )
Os desafios dos efeitos das mudanças climáticas sobre a garantia da segurança alimentar são globais, mas as soluções começam localmente. A utilização de novas práticas de manejo agrícola adaptadas aos biomas pode contribuir para a superação de problemas provocados por extremos climáticos, principalmente a deficiência hídrica, garantindo o aumento da oferta de alimentos e atingindo as metas previstas pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) de atendimento da demanda mundial com baixas taxas de aumento de área plantada.
Para que os sistemas produtivos indicados para cada bioma possam se tornar realidade, eles não devem ser apenas social e ambientalmente sustentáveis. É imprescindível que também sejam economicamente viáveis, mesmo que para isso tenham que recorrer ao suporte dos recursos públicos. A análise econômica avalia as condições de oferta (custos de produção, produtividade, escala mínima, riscos associados à atividade, etc.) e de demanda (preço recebido pelo produtor). É possível, e mesmo provável, que parte desses sistemas tornem-se financeiramente viáveis somente com apoio público, garantindo renda aos produtores e acesso aos alimentos pelas populações mais carentes. É uma ação de Estado e não somente de governo.


São grandes os desafios nessa área: ter um conjunto de indicadores para a formulação de políticas públicas que possam garantir a segurança alimentar sem competir com a demanda de água para abastecimento humano e geração de energia; identificar, analisar e qualificar os sistema produtivos para os diversos biomas brasileiros, especialmente a Amazônia, a Caatinga  e o Cerrado, que possam suprir a necessidade regional de alimentos com baixa emissão de carbono, incorporando espécies florestais e alimentares das regiões adaptadas aos eventos climáticos extremos; e analisar a viabilidade econômica dos sistemas identificados para os diferentes biomas. Com esses passos simples, porém de gigantesca abrangência geográfica, social e científica, o Brasil poderá garantir a segurança alimentar e nutricional de sua população.

* Eduardo Assad é pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Recifes artificiais


Vagões do metrô de NY são atirados ao mar para fazer recifes artificiais; veja


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A última parada de antigos vagões de trens nova-iorquinos, chamados de Redbirds, que foram utilizados no metrô por 40 anos, é o oceano Atlântico, 30 km mar adentro.
O Departamento de Trânsito da cidade escolheu o fundo do mar como forma de descartar os vagões para que eles virassem recifes artificiais.
O objetivo é simples: além de atrair turistas, tais recifes fazem com que os mergulhadores deixem de frequentar os corais naturais, muito sensíveis à presença humana.
Os trens foram ao mar ao longo da última década. O processo atraiu o fotógrafo Stephen Mallon, cujas imagens dos afundamentos estão em exposição em Manhattan entre esta sexta-feira (6) e 8 de março, na Galeria Kimmel da Universidade de Nova York.
"Enquanto fotografava, eu só pensava 'meu Deus, que imagens' entre os cliques", disse o fotógrafo à Folha.
A iniciativa americana não é a única. No Brasil, a Associação MarBrasil, que reúne pesquisadores da área biológica, tem nos últimos anos jogado blocos de concreto ao mar no Paraná para fazer recifes artificiais. Entre março e abril, a entidade pretende lançar 1.500 novas unidades –o Ibama, que tem de ser consultado para que isso seja feito, já aprovou o projeto.
Editoria de Arte/Folhapress
Coral
Nesse caso, o objetivo é mais científico: deseja-se entender como ocorre a colonização, primeiro por microalgas e bactérias que se incrustam nos blocos, depois por peixes em busca de alimentos.
O que está ficando cada vez mais claro para os cientistas é como a vida toma com facilidade as estruturas para si. Eles estimam que em dois anos o ecossistema se estabelece inteiramente, e depois de escolhido o lugar adequado não é preciso fazer nada além de deixar a natureza trabalhar.
Além de outras iniciativas com concreto no Rio de Janeiro e no Espírito Santo, o Brasil também já afundou navios, como o rebocador Walsa, em 2009, em Recife, e o cargueiro grego Victory 8B, com 89 metros de comprimento, submerso desde 2003 no Espírito Santo. Ambos servem à pesquisa e ao turismo.
Para afundar vagões ou navios, é preciso retirar pneus, janelas, fios, baterias, resíduos de combustível e tinta. Fica só a estrutura metálica.
Frederico Brandini, professor titular do Instituto Oceanográfico (IO) da USP e ex-presidente da MarBrasil, conta que a biodiversidade em um recife artificial é alta. "Existe muita complexidade no ambiente. São muitas tocas, buraquinhos. Vários organismos conseguem se fixar ali e isso atrai peixes. É um verdadeiro jardim."
Além disso, o local tende a ser uma área protegida, em função da estrutura do objeto afundado –ficando por lá, peixes não são atingidos pela pesca de arrasto, por exemplo, e conseguem se esconder de predadores maiores.
No Paraná, já estão sendo vistas espécies de peixes, como meros e garoupas, que antes não habitavam nem corais naturais. O IO-USP pretende reproduzir a experiência no litoral norte de São Paulo.
Há quem seja mais criativo na hora de criar recifes. Os búlgaros, por exemplo, jogaram ao mar um avião em 2011.
O Tupolev-154, fabricado na União Soviética e parecido com um Boeing 727, pertencia ao ditador comunista Todor Zhivkov e foi utilizado, entre outros, por Fidel Castro. O avião, agora com frequentadores bem mais inofensivos, repousa hoje entre peixes a 700 metros da costa de Varna, onde virou ponto turístico.
Já os tailandeses preferiram mandar, em 2010, 25 tanques de guerra desativados (e inúteis) para o fundo do oceano, pois estavam preocupados com a redução no número de peixes na região.
Conheça os trabalhos de Stephen Mallon
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