sábado, 10 de março de 2012

Uma longa jornada até o Rio+20...


Relatório Brundtland 


fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Relat%C3%B3rio_Brundtland


Relatório Brundtland é o documento intitulado Nosso Futuro Comum (Our Common Future), publicado em 1987. Neste documento o desenvolvimento sustentável é concebido como:
Cquote1.svgo desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades.Cquote2.svg




Contexto histórico




ECO-92, Rio-92, Cúpula ou Cimeira da Terra




ECO-92, Rio-92, Cúpula ou Cimeira da Terra são nomes pelos quais é mais conhecida aConferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD), realizada entre 3 e 14 de junho de 1992 no Rio de Janeiro. O seu objetivo principal era buscar meios de conciliar o desenvolvimento sócio-econômico com a conservação e proteção dos ecossistemas da Terra.
A Conferência do Rio consagrou o conceito de desenvolvimento sustentável e contribuiu para a mais ampla conscientização de que os danos ao meio ambiente eram majoritariamente de responsabilidade dos países desenvolvidos. Reconheceu-se, ao mesmo tempo, a necessidade de os países em desenvolvimento receberem apoio financeiro e tecnológico para avançarem na direção do desenvolvimento sustentável. Naquele momento, a posição dos países em desenvolvimento tornou-se mais bem estruturada e o ambiente político internacional favoreceu a aceitação pelos países desenvolvidos de princípios como o das responsabilidades comuns, mas diferenciadas. A mudança de percepção com relação à complexidade do tema deu-se de forma muito clara nas negociações diplomáticas, apesar de seu impacto ter sido menor do ponto de vista da opinião pública.

História

Em 1992, no Rio de Janeiro, representantes de quase todos os países do mundo reuniram-se para decidir que medidas tomar para conseguir diminuir a degradação ambiental e garantir a existência de outras gerações. A intenção, nesse encontro, era introduzir a idéia dodesenvolvimento sustentável, um modelo de crescimento econômico menos consumista e mais adequado ao equilíbrio ecológico. Os encontros ocorreram no centro de convenções chamado Rio Centro. A diferença entre 1992 e 1972 (quando teve lugar a Conferência de Estocolmo) pode ser traduzida pela presença maciça de Chefes de Estado, fator indicativo da importância atribuída à questão ambiental no início da década de 1990. Já as ONGs fizeram um encontro paralelo no Aterro do Flamengo. O encontro paralelo era liberado para a população mediante pagamento. Além do encontro paralelo, certo é que as ONGs, conquanto não tivessem o direito de deliberar, participaram dos debates na CNUMAD de 1992.
Durante o evento, as forças armadas fizeram a proteção da cidade, gerando uma sensação de segurança, que motiva até hoje a defesa da utilização das forças armadas na segurança pública da cidade. O presidente da República Fernando Collor de Mello transferiu, durante o evento, a capital de Brasília para o Rio de Janeiro. Fazendo durante alguns dias, que o Rio voltasse a ser a capital do país, como foi de 1763 até 1960.
A ECO-92 frutificou a elaboração dos seguintes documentos oficiais:

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Convenção da Biodiversidade

Convenção da Biodiversidade foi o acordo aprovado durante a RIO-92, por 156 países e uma organização de integração econômica regional. Foi ratificada pelo Congresso Nacional Brasileiro e entrou em vigor no final de dezembro de 1993. Os objetivos da convenção são a conservação da biodiversidade, o uso sustentável de seus componentes e a divisão equitativa e justa dos benefícios gerados com a utilização de recursos genéticos. Neste documento destaca-se o "Protocolo de Biosegurança", que permite que países deixem de importar produtos que contenham organismos geneticamente modificados. Dos 175 países signatários da Agenda 21, 168 confirmaram sua posição de respeitar a Convenção sobre Biodiversidade.

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Agenda 21

O principal documento produzido na RIO-92, o Agenda 21 é um programa de ação que viabiliza o novo padrão de desenvolvimento ambientalmente racional. Ele concilia métodos de proteção ambiental, justiça social e eficiência econômica. Este documento está estruturado em quatro seções subdivididas num total de 40 capítulos temáticos. Eles tratam dos temas:
Dimensões Econômicas e Sociais – enfoca as políticas internacionais que podem ajudar o desenvolvimento sustentável nos países em desenvolvimento, as estratégias de combate à pobreza e à miséria, as mudanças necessárias a serem introduzidas nos padrões de consumo, as inter-relações entre sustentabilidade e dinâmica demográfica, as propostas para a promoção da saúde pública e a melhoria da qualidade dos assentamentos humanos;
Conservação e questão dos recursos para o desenvolvimento – apresenta os diferentes enfoques para a proteção da atmosfera e para a viabilização da transição energética, a importância do manejo integrado do solo, da proteção dos recursos do mar e da gestão eco-compatível dos recursos de água doce; a relevância do combate ao desmatamento, à desertificação e à proteção aos frágeis ecossistemas de montanhas; as interfaces entre diversidade biológica e medidas requeridas para a proteção e promoção de alguns dos segmentos sociais mais relevantes - analisa as ações que objetivam a melhoria dos níveis de educação da mulher, bem como a participação da mesma, em condições de igualdade, em todas as atividades relativas ao desenvolvimento e à gestão ambiental. Adicionalmente, são discutidas as medidas de proteção e promoção à juventude e aos povos indígenas, às ONG's, aos trabalhadores e sindicatos, à comunidade científica e tecnológica, aos agricultores e ao comércio e a indústria.
Revisão dos instrumentos necessários para a execução das ações propostas - discute os mecanismos financeiros e os instrumentos e mecanismos jurídicos internacionais; a produção e oferta de tecnologias ecos-consistentes e de atividade científica, enquanto suportes essenciais à gestão da sustentabilidade; a educação e o treinamento como instrumentos da construção de uma consciência ambiental e da capacitação de quadros para o desenvolvimento sustentável; o fortalecimento das instituições e a melhoria das capacidades nacionais de coleta, processamento e análise dos dados relevantes para a gestão da sustentabilidade.
A aceitação do formato e conteúdo da Agenda - aprovada por todos os países presentes à CNUMAD - propiciou a criação da Comissão de Desenvolvimento Sustentável (CDS), vinculada ao Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC). A CDS tem por objetivo acompanhar e cooperar com os países na elaboração e implementação das agendas nacionais, e vários países já iniciaram a elaboração de suas agendas nacionais. Dentre os de maior expressão política e econômica, somente a China terminou o processo de elaboração e iniciou a etapa de implementação.

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Conferindo a Agenda 21

As ONGs que participaram da RIO-92 acabaram desempenhando um papel fiscalizador, que pressiona os governos de todo o mundo a cumprir as determinações da Agenda 21.
De 23 a 27 de junho de 1997, em Nova Iorque (chamada de "Rio+5"), foi realizada a 19ª Sessão Especial da Assembleia-Geral das Nações Unidas. Com o objetivo de avaliar os cinco primeiros anos de implementação da Agenda 21, o encontro identificou as principais dificuldades relacionadas à implementação do documento, priorizou a ação para os anos seguintes e conferiu impulso político às negociações ambientais em curso.
Para os países em desenvolvimento, o principal resultado da Sessão Especial foi a preservação intacta do patrimônio conceitual originado na RIO-92. O documento final incorporou, assim, uma "Declaração de Compromisso", na qual os chefes de delegação reiteram solenemente o compromisso de seus países com os princípios e programas contidos na Declaração do Rio e na Agenda 21, assim como o propósito de dar seguimento a sua implementação.

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Temas e desenvolvimentos

  1. Mudança do Clima: A Eco-92 embasou eventos como a conferência em Kyoto no Japão, em 1997, que deu origem ao Protocolo de Quioto, no qual a maioria das nações concordou em reduzir as emissões de gases estufa que intensificam o chamado "efeito estufa".
  2. Ar e água: um congresso da ONU em Estocolmo em 2001, adotou um tratado para controlar 12 substâncias químicasorganocloradas. Destinada a melhorar a qualidade do ar e da água, a convenção sobre Poluentes Orgânicos Persistentes pede a restrição ou eliminação de oito substâncias químicas como clordanoDDT e os PCBs.
  3. Transporte alternativo: os automóveis híbridos, movidos a gasolina e a energia elétrica, já reduzem as emissões de dióxido de carbono no Japão, na Europa e nos Estados Unidos.
  4. Ecoturismo: com um crescimento anual estimado em 30%, o ecoturismo incentivou governos a proteger áreas naturais e culturas tradicionais.
  5. Redução do desperdício: empresas adotam programas de reutilização e Redução, como acontecia com as garrafas de PET no Brasil antes que as empresas fossem taxadas com impostos sobre sua compra dos catadores de lixo.
  6. Redução da chuva ácida: na década de 1980 os países desenvolvidos começaram a limitar as emissões de dióxido de enxofre, lançado por usinas movidas a carvão. A Alemanha adotou um sistema obrigatório de geração doméstica de energia através de célula fotoelétrica.

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Convenção de Mudanças Climáticas e Protocolo de Quioto

Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, estabelecida a partir da Eco-92 e da Agenda-21, foi ratificada pela maioria dos países, mas o mesmo não aconteceu com o Protocolo de Quioto. Essa diferença se deve ao fato de a convenção apresentar apenas propostas, sem estabelecer prazos, nem limites para a emissão de poluentes.
Já o Protocolo de Kyoto (1997 - Japão) estabeleceu metas para a redução da emissão de gases poluentes que intensificam o "efeito estufa", com destaque para o CO2. A ratificação do Protocolo de Quioto pelos países do mundo esbarrou na necessidade de mudanças na sua matriz energética. Os elevados custos recairiam, principalmente, sobre os países desenvolvidos, em especial os Estados Unidos. O presidente George W. Bush declarou que não iria submeter o avanço da economia norte-americana aos sacrifícios necessários para a implementação das medidas propostas, motivo pelo qual não ratificou o protocolo.

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Rio+10

Dez anos após a ECO-92, a ONU realizou a Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento Sustentável em Joanesburgo (África do Sul), a chamada Rio+10 ou conferência de Joanesburgo. O objetivo principal da Conferência seria rever as metas propostas pela Agenda 21 e direcionar as realizações às áreas que requerem um esforço adicional para sua implementação, porém, o evento tomou outro direcionamento, voltado para debater quase que exclusivamente os problemas de cunho social. Houve também a formação de blocos de países que quiseram defender exclusivamente seus interesses, sob a liderança dos EUA.
Tinha-se a expectativa de que essa nova Conferência Mundial levaria à definição de um plano de ação global, capaz de conciliar as necessidades legítimas de desenvolvimento econômico e social da humanidade, com a obrigação de manter o planeta habitável para as gerações futuras. Porém, os resultados foram frustrados, principalmente, pelos poucos resultados práticos alcançados em Joanesburgo. Em síntese, pode-se dizer que houve:
  • Discussão em torno apenas dos problemas sociais.
  • Muitos países apresentaram propostas concretas, porém, não saíram do papel – caso Agenda 21.
  • Diversidade de opiniões e posturas, muitas vezes conflitantes.
  • Maior participação da sociedade civil e suas organizações.
  • Formação de grupos para defender seus interesses.
  • Iniciativa de Energia – global
Conclusões: A vanguarda ambientalista elencou centenas de propostas para os 21 objetivos da Agenda. Entre elas figuram universalizar osaneamento básico nos próximos dez anos, implantar redes de metrô e trens rápidos nas grandes aglomerações, democratizar a Justiça, universalizar o ensino em tempo integral e reestruturar o Proálcool, desvinculado dos interesses do velho setor sucroalcooleiro.






             Sobre a Rio+20


Morro Pão de Açúcar e bondinho.

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, será realizada de 13 a 22 de junho de 2012, na cidade do Rio de Janeiro. A Rio+20 é assim conhecida porque marca os vinte anos de realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92) e deverá contribuir para definir a agenda do desenvolvimento sustentável para as próximas décadas.
A proposta brasileira de sediar a Rio+20 foi aprovada pela Assembléia-Geral das Nações Unidas, em sua 64ª Sessão, em 2009.
O objetivo da Conferência é a renovação do compromisso político com o desenvolvimento sustentável, por meio da avaliação do progresso e das lacunas na implementação das decisões adotadas pelas principais cúpulas sobre o assunto e do tratamento de temas novos e emergentes.

A Conferência terá dois temas principais:

  • A economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza; e
  • A estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável. 

A Rio+20 será composta por três momentos. Nos primeiros dias, de 13 a 15 de junho, está prevista a III Reunião do Comitê Preparatório, no qual se reunirão representantes governamentais para negociações dos documentos a serem adotados na Conferência. Em seguida, entre 16  e 19 de junho, serão programados eventos com a sociedade civil. De 20 a 22 de junho, ocorrerá o Segmento de Alto Nível da Conferência, para o qual é esperada a presença de diversos Chefes de Estado e de Governo dos países-membros das Nações Unidas.

Os preparativos para a Conferência

A Resolução 64/236 da Assembleia-Geral das Nações Unidas determinou a realização da Conferência, seu objetivo e seus temas, além de estabelecer a programação das reuniões do Comitê Preparatório (conhecidas como “PrepComs”). O Comitê vem realizando sessões anuais desde 2010, além de “reuniões intersessionais”, importantes para dar encaminhamento às negociações.

Além das “PrepComs”, diversos países têm realizado “encontros informais” para ampliar as oportunidades de discussão dos temas da Rio+20.

O processo preparatório é conduzido pelo Subsecretário-Geral da ONU para Assuntos Econômicos e Sociais e Secretário-Geral da Conferência, Embaixador Sha Zukang, da China. O Secretariado da Conferência conta ainda com dois Coordenadores-Executivos, a Senhora Elizabeth Thompson, ex-Ministra de Energia e Meio Ambiente de Barbados, e o Senhor Brice Lalonde, ex-Ministro do Meio Ambiente da França. Os preparativos são complementados pela Mesa Diretora da Rio+20, que se reúne com regularidade em Nova York e decide sobre questões relativas à organização do evento. Fazem parte da Mesa Diretora representantes dos cinco grupos regionais da ONU, com a co-presidência do Embaixador Kim Sook, da Coréia do Sul, e do Embaixador John Ashe, de Antígua e Barbuda. O Brasil, na qualidade de país-sede da Conferência, também está representado na Mesa Diretora.

Os Estados-membros, representantes da sociedade civil e organizações internacionais tiveram até o dia 1º de novembro para enviar ao Secretariado da Conferência propostas por escrito. A partir dessas contribuições, o Secretariado preparará um texto-base para a Rio+20, chamado “zero draft” (“minuta zero” em inglês), o qual será negociado em reuniões ao longo do primeiro semestre de 2012.
Baixe aqui a apresentação em slides  com o histórico da Rio+20 - ("Como chegamos até aqui")





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Trata-se de un juke box que recupera 60 anos de músicas e
que te permite ouvir as melodias do ano entre 1940 e 1999.


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Rio+20: Todo mundo querendo aparecer...


09/03/2012 - 18h09

Rio+20 não prioriza questões ambientais, alertam cientistas

http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/1059733-rio20-nao-prioriza-questoes-ambientais-alertam-cientistas.shtml


ANDREA VIALLI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA



Cientistas e economistas ligados à área ambiental não poupam críticas à pauta da Rio+ 20, a conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável que será realizada em junho. O físico e professor da USP José Goldemberg afirmou em São Paulo que o foco da conferência privilegia os problemas sociais e econômicos em detrimento da questão ambiental, que foi o tema central da Eco 92 e da conferência de Estocolmo, em 1972.
"Os preparativos para a conferência até agora apontam que ela não será coerente com as conferências de Meio Ambiente anteriores. O foco da Rio+20 foi esvaziado dos principais problemas que a ciência vem apontando nos últimos anos", diz Goldemberg, que ocupou a pasta de Meio Ambiente durante a Eco 92 e teve papel ativo na organização do evento, há 20 anos.
Goldemberg ressaltou que questões-chave para a sustentabilidade, como as mudanças climáticas, ficaram fora da Rio+20, a despeito dos crescentes alertas do meio científico sobre a questão e dos resultados mornos das últimas reuniões climáticas, que ainda não conseguiram fixar metas efetivas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. "A situação não é confortável. Não é porque a Grécia fará moratória que a atmosfera vai parar de aquecer", frisou.
Para o economista José Eli da Veiga, a discussão sobre os rumos da economia mundial e o combate à pobreza deve levar em consideração o cenário de escassez de recursos naturais e mudanças climáticas que vem sendo projetado há pelo menos 40 anos pelos cientistas. A questão principal, segundo ele, é se haverá tempo para que as economias emergentes, em crescimento, consigam ter ganhos de eficiência que compensem os efeitos do desenvolvimento baseado em combustíveis fósseis. "Países como a China têm reduzido a intensidade de carbono em seus produtos, mas o crescimento econômico e o aumento do consumo da população acabam anulando a queda nas emissões", disse.
O descontentamento do meio científico com a pauta da Rio+20 será oficializado em um documento que está sendo preparado por um grupo coordenado pelo embaixador Rubens Ricupero, José Goldemberg e o ambientalista e ex-parlamentar Fábio Feldmann. O documento pretende defender que a Rio+20 seja uma conferência ambiental, pois as condições planetárias que dão suporte à economia e o desenvolvimento social estão se deteriorando.
"É dado como certo que a temperatura da Terra irá se elevar entre 3ºC e 5ºC e a sensação é de que estamos marchando anestesiados para a Rio+20", disse Goldemberg, que afirma que ainda há tempo para corrigir os rumos da conferência --a cúpula dos chefes de Estado será realizada entre os dias 20 e 22 de junho, no RioCentro, no Rio de Janeiro.

TRÊS PILARES
O embaixador André Corrêa do Lago, chefe do Departamento de Meio Ambiente do Itamaraty, discorda da avaliação. Segundo ele, o tema central da conferência, o desenvolvimento sustentável, se apoia em três pilares - ambiental, social e econômico. "O pilar ambiental será forte na conferência. Não será o mais forte, mas terá o mesmo peso que os aspectos sociais e econômicos", afirmou o embaixador. Ele rebate as críticas de que os problemas ambientais não estão contemplados. "Só não vamos debater questões que já possuem uma agenda própria na ONU, como é o caso de mudanças climáticas. Mas temas pertinentes como água e cidades sustentáveis serão amplamente discutidos", diz Corrêa do Lago.
Para Giancarlo Summa, diretor do Centro de Informações das Nações Unidas para o Brasil (Unic), as críticas não procedem, pois a questão ambiental será um dos pilares das discussões e temas como biodiversidade, energia e desastres naturais estão contemplados. Ele ressalta que a Rio+20 será uma conferência política. "Temos de ter em mente que o resultado da conferência será um documento político, de reafirmar a vontade dos chefes de Estado com o desenvolvimento sustentável", diz Summa. "Não adianta firmar novos acordos ambientais se os compromissos assumidos na Eco 92 não forem implementados."

Será que desta vez "pega"?


09/03/2012 - 18h21

Virada Sustentável de SP abre inscrições para projetos



A partir de segunda-feira (12) serão abertas as inscrições para artistas, oficineiros, escolas e outras organizações participarem da segunda edição da Virada Sustentável, programada para os dias 2 e 3 de junho na cidade de São Paulo.
A proposta do evento é "conscientizar a população a partir de uma abordagem alegre e inspiradora sobre o tema da sustentabilidade".
As inscrições serão feitas por meio de uma carta de adesão, que deve ser solicitada pelo e-mail adesoes@viradasustentavel.com.
O conteúdo das propostas será analisado pelo conselho curador e pela organização do evento. Se aprovado, poderá haver a disponibilização de espaços, divulgação e, em alguns casos, estrutura técnica para as atividades.
Carlos Cecconello-5.jun.11/Folhapress
O artista gráfico Binho Ribeiro realiza performance artística usando plástico de isolamento no parque Ibirapuera
O artista gráfico Binho Ribeiro em performance artística no parque Ibirapuera na virada do ano passado
Terão prioridade as propostas que tiverem caráter educativo e utilizem linguagem artística (teatro, música, cinema e artes plásticas) ou lúdica (como oficinas, gincanas, concursos culturais). Não serão aceitos projetos de conotação partidária, religiosa ou que estimulem qualquer forma de discriminação.
"O objetivo das adesões é ampliar a participação da sociedade civil nesse movimento em prol da sustentabilidade, abrindo espaço para que organizações e pessoas que trabalhem com o tema ou que queiram promover ações relacionadas tenham seu espaço garantido", afirma André Palhano, idealizador da Virada Sustentável.
A primeira edição do evento, em junho do ano passado, contou com a participação de mais de 500 mil pessoas, em 480 atividades distribuídas por várias regiões da cidade.
Para este ano, já estão confirmadas cerca de cem atrações, como shows, exposições, intervenções urbanas, oficinas e apresentações de teatro e cinema.
"A expectativa é que tenhamos quase o dobro de eventos do ano passado. Queremos a participação de escolas e universidades e a presença na periferia da cidade. Se não tiver esse caráter coparticipativo, nunca será sustentável", diz Mariana Amaral, uma das organizadoras.
A programação oficial será divulgada em maio.

Dinheiro radioativo?


10/03/2012 - 07h38

Crise de Fukushima não desanima exportação de tecnologia nuclear no Japão


DA EFE, EM TÓQUIO

O acidente que aconteceu há um ano na usina de Fukushima não freou as exportações de tecnologia atômica do Japão, que em pleno debate sobre suas próprias centrais, procura marcar presença nos projetos nucleares de países emergentes.
Antes de o tsunami de 11 de março suscitar o pior desastre nuclear desde Chernobyl, o governo do PD (Partido Democrático) via a exportação de tecnologia nuclear como um pilar promissor para o crescimento do Japão, terceira potência econômica mundial.
O país conta com gigantes no desenvolvimento de tecnologia atômica, como Hitachi, Mitsubishi Heavy Industries e Toshiba, que no ano fiscal 2010 (que terminou em março de 2011) ganharam cerca de 242 bilhões de ienes, US$ 2,996 bilhões, com suas divisões de energia e infraestruturas.
O acidente e as dúvidas que Fukushima abriu sobre a segurança das usinas nucleares - incluindo as usinas de um dos países mais preparados do mundo - deixaram temporariamente no ar os projetos de cooperação nuclear civil do Japão.
Essa paralisação durou cerca de seis meses, o tempo que demorou para o primeiro-ministro Naoto Kan renunciar e dar passagem a seu sucessor, seu companheiro de partido Yoshihiko Noda, que deixou claro o respaldo de sua administração às ambições internacionais da indústria nuclear japonesa.
Ao mesmo tempo, Noda manteve o compromisso de reduzir a dependência de energia nuclear do Japão, sem que até agora tenha dado sinal verde à reabertura dos reatores parados após o acidente de Fukushima por segurança ou por manutenção, o que deixou o país com apenas duas de suas 54 unidades ativas.
Com esta aparente contradição, o Governo japonês levanta o argumento de que, à margem do debate interno, sua tecnologia nuclear ainda está entre as mais avançadas e seguras do mundo, por isso que a compartilhará com os países que desejarem.
"É responsabilidade deste país compartilhar a experiência e as lições da crise de Fukushima com a comunidade internacional e contribuir para promover os níveis de segurança nuclear", justificou Noda em dezembro.
Nesta linha, o Parlamento japonês aprovou no final do ano passado, em plena luta para levar os reatores de Fukushima a uma "parada fria", quatro acordos de cooperação nuclear civil com a Jordânia, Rússia, Coreia do Sul e Vietnã, que tinham sido atrasados por causa da crise.
Graças a estes pactos, Hitachi, Mitsubishi Heavy Industries e Toshiba esperam obter contratos de construção de usinas nucleares na Jordânia e no Vietnã, e incentivar a exportação de componentes de reatores na Coreia do Sul.
Com o Vietnã, o Governo japonês retomou a negociação de um projeto no valor de 1 trilhão de ienes (US$ 12,382 bilhões) para construir dois reatores nucleares com a ajuda de um consórcio japonês JINED (International Nuclear Energy Development of Japan) estabelecido em 2010.
Entre os acionistas deste grupo está a TEPCO (Tokyo Electric Power), operadora de Fukushima, além de outras empresas japonesas e de Toshiba, Hitachi e Mitsubishi Heavy, junto com a Rede de Inovação do Japão, uma sociedade de capital misto.
Se o projeto do Vietnã se desenvolver, o que poderia ser financiado com créditos sob juros baixos outorgados pelo próprio Japão, se uniria a outros 12 concursos em países como os Estados Unidos e a China, nos quais a indústria japonesa confia ter presença.
Além dos aprovados em dezembro, Japão mantém atualmente acordos bilaterais nucleares com sete países (Austrália, Reino Unido, Canadá, China, França, EUA e Cazaquistão) e com a Euratom (Comunidade Europeia da Energia Atômica).
Segundo o Ministério de Relações Exteriores japonês, há negociações para estabelecer acordos de cooperação nuclear civil com a Índia, Brasil, México, Turquia, África do Sul e Emirados Árabes Unidos.
Com a Índia, um suculento mercado em expansão, um eventual acordo se apresenta ainda mais polêmico já que este país, com arsenal atômico declarado, não é signatário do Tratado de Não-Proliferação Nuclear e vários grupos civis do Japão - único país que sofreu com a bomba atômica - se opõem às negociações.

Reúso de entulho




Saiba como os resíduos classe A produzidos no canteiro podem ser reciclados na própria obra

http://www.equipedeobra.com.br/construcao-reforma/45/reuso-de-entulho-saiba-como-os-residuos-classe-a-251097-1.asp

Reportagem: Giovanny Gerolla




Marcelo Scandaroli
O reúso de entulho deve ter uma etapa prévia de gerenciamento de resíduos: trata-se da separação contínua dos tipos de materiais gerados, visando os denominados “classe A” – restos de concreto, alvenaria, argamassa, pedra e brita –, que podem ser triturados e peneirados, para virar agregado secundário.


Divulgação: Tecnisa
Um método simples de separação de resíduos de granulometria diferente é peneirá-los.


Divulgação: Gafisa
Outro jeito é ter um pequeno triturador, que transforma blocos de resíduos em grãos menores, possibilitando sua mistura.
O intuito do uso da peneira ou do triturador é a reutilização da parcela mais fina dos resíduos.





Marcelo Scandaroli
Por meio do serviço de logística reversa, oferecido por algumas empresas, leva-se o entulho bruto embora da obra, trazendo de volta ao local o material triturado a ser reutilizado, que foi processado numa central externa. É possível ainda trocar materiais com outros canteiros de obra, como, por exemplo, a terra proveniente de cortes de terraplanagem, ou mesmo de resíduos selecionados de demolições.


Divulgação: Dersa/Divulgação: Estação Resgate
O entulho classe “A” pode ser usado para aterrar certas áreas, desde que devidamente compactado.
A norma NBR 15.115 regula o reúso de entulho “A”, em granulometria adequada, na pavimentação de vias. O reforço de subleito, sub-base e base, ou mesmo o cascalhamento, é feito com produtos do processamento do entulho – pedrisco, rachão ou bica corrida.


DICA
Também é possível usar agregado reciclado (concreto triturado) para argamassas e concreto magro, segundo a norma ABNT/NBR 15.116. Vale também o agregado misto (concreto triturado e misturado com elementos cerâmicos) no preparo de nova mistura para aplicação não estrutural (resistência máxima de 15 MPa). Ficam excluídos os resíduos de classes B (recicláveis, como metais e vidros), C (não recicláveis) e D (perigosos, como óleos, algumas tintas e solventes).



sexta-feira, 9 de março de 2012

Quanto custa para adotar a sustentabilidade numa obra? A resposta está aqui!



Comparativo técnico e econômico entre obras comerciais com características sustentáveis e convencionais

  http://www.revistatechne.com.br/engenharia-civil/179/comparativo-tecnico-e-economico-entre-obras-comerciais-com-caracteristicas-sustentaveis-250069-1.asp



André Nagalli professor-doutor do Departamento de Construção Civil (Dacoc) Universidade Tecnológica Federal do Paraná nagali@utfpr.edu.br

A indústria da construção civil, grande geradora de empregos diretos e indiretos, possui significativa participação no desenvolvimento econômico mundial. No caso específico do Brasil, é responsável por 63% da Formação Bruta de Capital Fixo (IBGE, 2011) e 15% do Produto Interno Bruto movimentando cerca de R$ 400 bilhões/ano (Brasil, 2010). Estes números refletem a próspera fase que vive este setor.
A questão ambiental tem se tornado uma exigência de mercado cada vez mais contundente e gradativamente tem ocupado cada vez mais espaço nas prioridades das construtoras. Toledo et al. (2011), por exemplo, mostram que o cidadão curitibano está disposto a pagar até 15% a mais por um imóvel certificado. Em todo o mundo há diversas certificações que verificam se uma dada obra é sustentável. A norte-americana Leadership in Energy and Environment Design (LEED) e a francesa Haute Qualité Environment (HQE) são alguns exemplos de certificações estrangeiras. No território nacional há a certificação Alta Qualidade Ambiental (Aqua), baseada na HQE, sendo o primeiro referencial técnico para construções sustentáveis adaptado à realidade brasileira.
Tornar uma edificação sustentável demanda adoção de novos critérios, revisão de procedimentos, substituição de insumos, capacitação de mão de obra, reestruturação de equipe, entre outros aspectos. Toda esta alteração significa inserção de novos custos que influenciam diretamente no valor final do produto. Por sua vez, este suposto encarecimento da edificação é repassado da construtora para o consumidor. Nesta soma de situações as construtoras deparam-se com a seguinte questão: como convencer o cliente a comprar um produto mais caro?
Na grande maioria das vezes, o usuário final não possui o discernimento técnico para traçar um comparativo entre uma obra convencional e uma sustentável. Por exemplo, apresentar ao usuário a pegada de carbono de uma determinada construção exige que a construtora capacite seu respectivo cliente, inviabilizando o negócio. Focado neste problema, este trabalho tem como meta principal demonstrar o custo-benefício de uma edificação sustentável comparando o valor de uma obra convencional a uma com tecnologias sustentáveis, explicitando o chamado ponto de equilíbrio.


Método 
Em uma abordagem financeira, os manuais tradicionais de análises de projetos, independente de sua natureza, trazem uma série de ferramentas a serem utilizadas para a tomada de decisão de um determinado investimento (Martins, 2003). Dentre elas destacam -se Valor Presente Líquido, Taxa Interna de Retorno e Ponto de Equilíbrio.

Assim, procederam-se três estudos de caso compilando e equalizando informações de obras, concluídas ou em andamento, que possuem ou possuíram algum tipo de certificação verde visando avaliar sua economicidade. A primeira e segunda obras são os exemplos de edificação sustentável por possuírem certificações LEED, e a terceira obra serviu como exemplo de um empreendimento com sistemas construtivos convencionais.
A fim de resguardar o sigilo dos dados da construtora, os custos unitários foram convertidos para unidades monetárias (um) por meio de um fator de correção. Este índice corretor é um número absoluto e foi aplicado com a mesma regra e teor a todos os custos utilizados neste trabalho.
Em função da complexa análise probabilística, optou-se pela adoção da fórmula determinística que compõe o método chamado por Viggiano (2010) de simplificado conforme a equação 1:

Onde: 
Ri = retorno do investimento em meses 
C = custo total de implementação e manutenção do processo 
Ci = custo mensal do uso do insumo 
Q = quantidade do insumo economizado no mês



Estudo de caso 1 
Intitulada Obra 1, a construção foi idealizada para receber a certificação LEED, categoria Silver. O prazo de execução da obra foi de 16 meses. Possui área total construída de 14.588,26 m², em terreno de 20.250 m². É composta por três torres comerciais, das quais uma foi analisada. Esta possui 22 salas comerciais.

As alvenarias são de blocos cerâmicos, sendo que as vedações externas são no mínimo de 14 cm de espessura e duplas quando na fachada de maior incidência solar. Por sua vez esta fachada é coincidente com a testada da obra que possui maior interferência de ruídos das ruas e avenidas circunvizinhas.
As esquadrias de fachada são predominantemente structural glazing e os vidros, na sua maioria, tipo laminado incolor refletivo tendo como principal característica a não absorção do calor do meio externo.
As coberturas são basicamente de dois tipos: estrutura de madeira com telha dupla preenchida com isolante térmico ou lajes expostas às intempéries isoladas termicamente com elementos reciclados. Os revestimentos externos considerados na obra são do tipo granulados com cores claras, evitando a demasiada absorção de calor.
Avaliando os serviços de vedação, esquadrias, vidros, coberturas e revestimentos externos, nota-se que o conceito de transmitância térmica foi priorizado para tornar o sistema de climatização o mais eficiente possível, com menor consumo energético, atingindo automaticamente maiores pontuações na certificação sustentável anteriormente mencionada. O sistema de ar- -condicionado adotado foi o tipo Variable Refrigerant Flow (VRF).
A reduzida necessidade energética do sistema de ar-condicionado reflete num sistema de instalações elétricas menos carregadas de circuitos, possibilitando o investimento em outros insumos. Neste caso específico, foi considerado cabeamento estruturado, que torna a infraestrutura de cabos independente do tipo de aplicação e do layout. Ainda no que se refere à transmissão de energia elétrica foram projetados cabos de maior seção que possuem, como principal característica, menor perda de energia.
Para as instalações hidráulicas não há grandes diferenças no que se refere a um sistema convencional versus método sustentável. Apenas para os acabamentos foram adotados aqueles que proporcionam menor consumo para o usuário final. Por exemplo, bacias sanitárias e metais sanitários com fluxo diferenciado.



Estudo de caso 2 A exemplo do Estudo de Caso 1, também é um edifício corporativo concebido para receber a certificação LEED, categoria Silver. Possui área total construída de 12.683,40 m². É composto por dois pavimentos de subsolo que totalizam uma área de 2.799,25 m² e 90 vagas de estacionamento. A partir do pavimento térreo iniciam-se os serviços setoriais e 13 pavimentos-tipo.
As alvenarias externas seguem a linha de raciocínio de serem mais espessas nas regiões de maior incidência solar e são de blocos cerâmicos. As esquadrias destas paredes são do tipo structural glazing que sustentarão os vidros tipo laminado refletivo verde com espessura de 8 mm. Estes elementos, além de possuírem característica de tratamento térmico, também possuem isolamento acústico uma vez que são compostos por uma placa de vidro laminado de 5 mm, película plástica chamada polivinil butiral e uma placa de vidro laminado de 3 mm, criando uma descontinuidade sonora. Devido à projeção do subsolo ocupar 100% da área do terreno, existem poucas áreas de absorção e permeabilidade. Sendo assim, optou-se pela adoção de telhado verde nas lajes de cobertura. Este sistema, além do controle de escoamento pluvial, possui como principal característica a baixa transmitância térmica, contribuindo para que o sistema de ar-condicionado seja concebido com maior eficiência energética.
Na Obra 2 também será instalado sistema de climatização tipo VRF. Analogamente à Obra 1, as instalações elétricas foram idealizadas para atender um sistema de ar-condicionado de baixo consumo, possibilitando assim o investimento no cabeamento estruturado, tornando flexível o layout das salas corporativas. A área de seção de cabos também é mais robusta com a finalidade de miniminimizar as perdas de energia para o meio.
Para as instalações hidrossanitárias foram adotados os acabamentos que têm por princípio de funcionamento a economia de água tal qual a Obra 1. Uma estação de tratamento de águas cinzas promove o tratamento dos esgotos provenientes dos lavatórios e reutiliza o efluente tratado no fluxo das descargas das bacias sanitárias. Separadamente a esta estação, há também armazenamento e reúso de água de chuva para rega de jardim e limpeza de passeios.
De todas as técnicas que compõem a Obra 1 e a Obra 2, as mencionadas estão diretamente ligadas ao maior investimento do empreendedor e à racionalização do uso da obra pelo consumidor final. Itens que são de difícil mensuração não foram envolvidos nesta pesquisa. Por exemplo, não foi avaliado o quanto o treinamento de mão de obra, para executar um dado sistema sustentável, onera o custo da edificação e quanto é vantajoso para o cliente final possuir um produto executado por uma equipe melhor qualificada que pode diminuir a frequência de manutenção predial.

Estudo de caso 3 Denominada Obra 3, este empreendimento, também de uso comercial, é uma edificação concebida com sistemas e metodologias convencionais, ou seja, sem os critérios de sustentabilidade. Ainda em fase de viabilidade econômica, é usada neste trabalho como parâmetro de comparação com as Obras 1 e 2. Possui área total construída de 32.529,17 m².
As alvenarias externas são de blocos cerâmicos. As esquadrias são do tipo structural glazing e os vidros são do tipo laminados incolores, sem características reflexivas ou acústicas. A cobertura do empreendimento é composta por estrutura de madeira e telhas de fibrocimento ou lajes impermeabilizadas. O sistema de climatização é o sistema tipo multi-split convencional.
Para as instalações hidráulicas não foi adotado nenhum sistema distinto, isto é, as louças e metais são convencionais não possuindo fluxo diferenciado para o escoamento. Foi adotado sistema de contenção de água de chuva compulsório perante a legislação municipal. As instalações elétricas também são do tipo convencional não possuindo nem barramentos blindados tampouco cabeamentos estruturados.
Pelos elementos verificados deste empreendimento, se comparados com os itens similares dos estudos de caso 1 e 2, percebe-se que são obras distintas. No caso do terceiro empreendimento, como não havia a intenção de certificação em sua idealização, foi priorizado o menor aporte de verba.




Resultados Como são obras de períodos distintos, a primeira ação foi atualizar o custo de todas as três para a mesma data-base. Para isso utilizou-se a tabela de Custo Unitário Básico (CUB-PR) do Sinduscon-PR para indexação. Os custos foram calculados com base na data mais recente de orçamento, ou seja, no período da Obra 2. Uma vez criado cada respectivo índice de atualização, as planilhas orçamentárias das Obras 1, 2 e 3 tiveram seus custos alinhados. Primeiramente, nas tabelas 1 e 2 foram comparados os custos totais:
A comparação entre custos totais das obras demonstra que existe uma tendência de uma obra idealizada sustentável ser mais cara (11% a 24%) que uma obra com métodos convencionais. Embora seus custos estejam alinhados, não se pode ignorar o fato de que são obras distintas, com quantitativos diferentes. Isto implica que serviços inerentes ao tipo de obra podem, por hipótese, estar maximizando a diferença de custos entre as obras estudadas. Por exemplo, tipo de fundação dos empreendimentos.
Procedeu-se à análise detalhada dos sistemas escolhidos, dispositivo a dispositivo, de sorte a eliminar eventuais distorções, cujos resultados são apresentados em Okraska (2011) e que, de forma geral, mostram uma diferença média de custo da ordem de 11%. Em termos globais, ao verificar o delta de custo entre Obra 1 e Obra 3 e entre Obra 2 e Obra 3, para estes casos específicos pode-se afirmar que por serem sustentáveis, são em média 10% mais caros que se fossem concebidos de maneira convencional.
A fim de justificar o maior aporte de verba (10%), foi determinado o ponto de equilíbrio de cada sistema sustentável eleito, tanto para a Obra 1 como para a Obra 2. No que concerne aos aparelhos hidráulico-sanitários, utilizou-se como parâmetro C o valor de $ 2.116,75 UM, e como Q, que define a quantidade de insumo economizado, utilizou-se da norma NBR 5626 que estima o consumo de água para edifícios comerciais (60 l/hab/dia).
Na Obra 1 a população soma 1.080 colaboradores. Em um mês de 22 dias trabalhados, considerando-se a economia proporcionada pela adoção de bacias sanitárias de fluxo diferenciado (6 l para sólidos e 3 l para descarga de dejetos líquidos), chega-se a uma economia de 356,4 m³/mês.
O parâmetro Ci, a cobrança do insumo, foi definido de acordo com a tarifa da concessionária, em $ 89,74 UM para o consumo de 10 m³ de água e $ 10,16 UMpara cada metro cúbico excedente aos dez inicialmente cobrados. Utilizando o consumo real calculado, o custo total é de $ 10.851,21 UM. Para possibilitar a aplicação em ambos os métodos basta dividir o custo total pelo consumo total, obtendo $ 10,15 UM/m³. Pela equação 1, obtém-se Ri igual a 18 dias.
Analogamente, calculou-se o período de retorno para o sistema de climatização (7,92 anos) e instalações elétricas (7,86 anos). Finalizando o cálculo do ponto de equilíbrio para a Obra 1, adaptando-se a equação 1, tem-se Ri igual a 7,07 anos. O mesmo raciocínio foi aplicado à análise das Obras 2 e 3, sendo também detalhado em Okraska (2011). Estas etapas de cálculo foram suprimidas do presente artigo por uma questão de concisão.
Na Obra 2, o quesito aparelhos hidráulico- sanitários teve seu equilíbrio aos 49 dias. O sistema de climatização e serviços correlatos teve seu ponto de equilíbrio aos 8,91 anos. O sistema de tratamento de águas cinzas e águas pluviais teve seu ponto de equilíbrio aos 4,88 anos. O quesito instalações elétricas aos 10,35 anos. Desta forma, procedeu- se ao cálculo global do ponto de equilíbrio dos dispositivos sustentáveis da Obra 2 chegando-se a 6,70 anos.
Analisando os resultados finais das Obras 1 e 2 percebe-se que os maiores investimentos ocorrem nos sistemas que envolvem energia elétrica (instalações elétricas e sistema de climatização). Nota- se também que, para o caso específico das obras estudadas, estes sistemas tendem a pagar-se num período de médio prazo de 14 anos. Em contrapartida, os outros processos construtivos sustentáveis estudados (aparelhos hidráulico-sanitários e estação de tratamento de água e esgoto), além de constituírem um aporte de verba menor possuem um ponto de equilíbrio mais rápido e dinâmico, girando em torno de dois anos.
A análise financeira isolada de cada método construtivo pode taxar um dado sistema como caro e inviável ou até mesmo barato, viável e obrigatório. O que não se pode deixar de considerar é que, para a obtenção da certificação, diversas áreas devem ser pontuadas e vários critérios devem ser atingidos, eliminando assim a interpretação individual de cada processo.
Quando somados os resultados, as Obras 1 e 2 atingem seu ponto de equilíbrio em um período médio de sete anos, viabilizando o investimento. Portanto, sete anos após a inauguração as medidas de sustentabilidade das Obras 1 e 2 tornam-se agentes de economia para o cliente final.



Conclusão Os estudos econômico-financeiros realizados permitiram analisar a viabilidade de alguns dispositivos atualmente empregados em construções sustentáveis. Demonstrou-se que uma obra sustentável tende a exigir maior aporte de verba para sua idealização e construção, mas também que este acréscimo de custo torna-se um investimento com o uso da edificação, justificando-se no momento em que esta atinge seu ponto de equilíbrio.
Assim sendo, quando em negociação, o construtor pode apresentar ao investidor as diferenças percentuais existentes entre uma obra sustentável e uma obra convencional, que no caso específico deste trabalho foram em torno de 10% mais caras para empreendimento sustentável. Continuando na esfera do raciocínio financeiro, a construtora pode evidenciar junto ao cliente que, mantidos os mesmos critérios e metodologias analisadas, a obra sustentável pode se pagar em um prazo médio de sete anos e, a partir deste momento, o investimento em metodologias sustentáveis torna-se um agente de economia no edifício.
O principal mote desta pesquisa foi o comparativo de custo entre procedimentos sustentáveis versus metodologias convencionais, desconsiderando quaisquer critérios de "certo e errado" ou "melhor e pior". No entanto, é inegável o fato de que muitos dos processos construtivos da indústria da construção civil brasileira são insustentáveis e até mesmo predatórios e que, apesar disso, continuam sendo utilizados, pois estão consolidados mercadologicamente, tornando- se automaticamente mais baratos quando comparados com novos sistemas. É neste momento que cabe ao construtor o papel de conscientização junto aos seus clientes de que a obra sustentável (não necessariamente certificada), além de poder possuir vantagens técnicas e de não agressão ambiental, pode também, se bem planejada, justificar-se no aspecto financeiro durante sua vida útil.

LEIA MAIS
Instrução Normativa no 33, de 12 de julho de 2007. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Disponível em: . Acesso em: 18 dez. 2010. Brasil.
Produto Interno Bruto. Disponível em: . Acesso em: 05 mar. 2011. IBGE.
Contabilidade de Custos. E. Martins. Ed. Atlas. São Paulo, 2003.
Comparativo Tecno-Econômico entre Obras com Características Sustentáveis e Convencionais. F. Okraska. Monografia de Especialização. Programa de Pós-Graduação em Construções Sustentáveis, UTFPR. Curitiba, 2011
Pesquisa Mercadológica para Edifícios Residenciais Sustentáveis em Curitiba. B. A. S. Toledo; H. C. C. Bastos; L. O. C. Bastos; A. Nagalli. Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, Porto Alegre, RS. Anais, 2011.
Cartilha de Edifícios Públicos Sustentáveis. M. Viggiano. Senado Verde. Brasília, 2010.




Inacreditável! E o CREA?


6/Março/2012

Engenheiros desconhecem uso dos estribos


http://www.piniweb.com.br//construcao/tecnologia-materiais/engenheiros-desconhecem-uso-dos-estribos-252562-1.asp


Para Ricardo França, erros são continuamente cometidos por falta de informação


Luciana Tamaki

No seminário Concreto - Estruturas e Fechamentos para Edificações, realizado hoje (6) pela PINI, o engenheiro Ricardo França alertou para um erro comum nas armaduras das estruturas de concreto, que é a má utilização dos estribos, como corte sem reposição, ou mesmo ausência deste elemento. Para ele, muito dessas falhas se deve ao fraco aprendizado dos engenheiros, que só conhecem o uso de travamento contra "flambagem" das armaduras longitudinais.
Outros usos do estribo, explica França, são de armadura de costura na região de emendas da armadura vertical; armadura de costura para as variações de tensão decorrentes dos momentos fletores; armadura de costura das bielas comprimidas de concreto no nó viga-pilar; armadura de força cortante em casos especiais; e armadura para o equilíbrio de modificações suaves de direção da armadura vertical.
Sobre o nó viga-pilar, o engenheiro explica no vídeo abaixo:
Outro alerta de França foi sobre erros de execução em obras. Para ele, seria importante que as construtoras mantivessem uma equipe própria para inspeção de obras. Esta equipe, independente mas da própria construtora, com experiência, impediria erros que muitas vezes são repetidos obra após obra.

Expo Revestir


6/Março/2012

Expo Revestir começa em São Paulo


http://www.piniweb.com.br//construcao/tecnologia-materiais/expo-revestir-comeca-em-sao-paulo-252560-1.asp

Feira traz as principais novidades em revestimentos, telha, louças e metais sanitários. Confira alguns destaques


Mauricio Lima

Começou hoje (6) em São Paulo a Expo Revestir 2012, com as principais novidades na área de revestimentos, pisos, louças e metais sanitários e telhas. A feira mantém a tendência, já apresentada em outras edições e em exposições internacionais, de apresentar produtos que imitam outros materiais, como o porcelanato que imita a madeira ou a telha metálica termoisolante que se assemelha a telhas coloniais.
Neste ano, a feira conta com 230 expositores, um público estimado em mais de 40 mil visitantes provenientes de 60 países, e pretende ultrapassar os US$ 170 milhões em negócios. A exposição segue até o dia 9 de março de 2012, simultaneamente ao 10º Fórum Internacional de Arquitetura e Construção.
Confira abaixo alguns destaques da Revestir:

ServiçoExpo Revestir
Data: 6 a 9 de março
Horário: 10h00 às 19h00
Local: Transamérica Expo Center, São Paulo, SP
Informações: http://www.exporevestir.com.br/

Habitando o container - Living inside the container

Habitando o container - Living inside the container

Fonte: http://www.usp.br/nutau/CD/68.pdf